Minha experiência de voluntariado em Jaipur

Para uma estudante de jornalismo de 23 anos de idade, eu já tinha visto e feito muita coisa. Eu passei alguns meses correndo por Nova York e tomando sorvete em Milão. Fiz um mochilão de um mês com uma das minhas melhores amigas. Aos dezesseis anos, eu morei por um tempo em um colégio interno internacional na Inglaterra. Mas, para mim, só ver o mundo ocidental e viver em um país plenamente desenvolvido, embora válido, não era suficiente. Vindo de um país cheio de diversidades e diferenças sociais, eu queria ver o que o outro lado do mundo poderia me mostrar. Assim, por mais que a maior parte das pessoas que eu conheço terem me chamado de louca e olhado para mim com incredulidade quando souberam que eu estava indo fazer trabalho voluntário na Índia, eu respirei fundo e embarquei no avião que me levaria para a viagem mais original da minha vida.

Assim que saí do aeroporto depois de três voos (um que durou 15 horas), eu fiquei extremamente impressionada. Eu definitivamente estava longe de casa. Os carros não paravam de buzinar um minuto, vacas estavam nas ruas, havia todos os tipos de pessoas vestidas todas diferentes por todos os lugares. Em qualquer lugar que eu olhasse, haveria algo novo para mim, e muitas vezes, surpreendente ou chocante. Juntamente com uma diversidade de cores, pessoas e novidades, eu estava ensinando inglês para adolescentes em uma pequena escola localizada em Saarthak Ambedkar Nagar, uma favela em Jaipur. No início, eu estava preocupada com alguns desafios. Eu estava ensinando uma turma de 12 meninas em uma escola sem mesas, apenas uma sala de aula no meio de um calor de 40 graus Celsius e sem ar condicionado. De alguma forma, eu tive a sorte de ter 12 alunas brilhantes e com uma vontade de aprender que eu sinceramente nunca vi em qualquer outro lugar.

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Fiquei contente de trabalhar lado a lado com Surendra, o coordenador indiano do meu programa e um incrível professor de trinta e poucos anos que tem um ótimo e inspirador coração. Ele ensina para mulheres adultas, para adolescentes, para crianças pequenas e para muitas outras classes, cada uma com seus próprios desafios. É incrível como a sua única preocupação na vida parece ser seus alunos e se eles estão aprendendo ou não. As escolas públicas no Brasil são uma realidade bastante difícil também, mas a impressão que eu tenho da maioria dos professores brasileiros é que muitas vezes eles simplesmente desistem de seus estudantes por falta de um futuro próspero. Mas através dos olhos brilhantes de Surendra, eu me impressionava constantemente com seus sonhos e esperanças para seus alunos. Ele me ensinou um pouco sobre o que significa ser um verdadeiro professor.

Eu estava ficando em uma casa com pessoas de todo o mundo e alguns deles tornaram-se meus amigos. Nós não só demos apoio um ao outro em tempos difíceis, mas cada um também era capaz de dar uma perspectiva diferente a partir de cada situação. Ainda mais especial foi conhecer Sangueeta, a mulher indiana responsável por todos os voluntários da IDEX em Jaipur. Eu não posso enfatizar o quão impressionante isto já é – Ser uma mulher no comando em um país tão machista. Vivendo tão perto dela, eu pude me inspirar pela essência de uma verdadeira mãe, uma vez que a sua personalidade combina regras, dureza, bondade e abraços especiais. Ela sempre foi capaz de acalmar cada um de nós, voluntários, com uma conversa reconfortante. Sangueeta também era muito séria em relação nossa segurança e bem-estar no local de trabalho, ela é uma das poucas indianas que conheci que realmente leva profissionalismo em conta em seu trabalho.

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Por fim, eu comecei a aprender sobre cultura jovem indiana pelas minhas meninas. Eles gostavam de saber tudo sobre a minha vida tão longe e elas eram sempre cheias de vida, de risos e sorrisos, assim como toda adolescente deveria ser. Elas faziam piada por causa do meu nome tão esquisito, elas se reuniam em torno de mim para ver fotos da minha família e amigos, e também adorava tirar fotos de sí mesmas. Cada momento que passei com elas foi especial, me trouxe algum tipo de aprendizado e uma nova perspectiva. Elas encheram meu coração com a sua própria alegria, e isso me tornou uma pessoa mais grata e positiva.

A pergunta que mais me fazem a respeito da India é se lá é ou não um bom lugar, se eu gostei de ir. É verdade que se vê muita pobreza, lixo nas ruas e ainda tem a questão da falta de higiene em geral – preocupar-se com o que comer e beber nas ruas é parte da rotina de lá. No entanto, eu insisti em não ser rápida demais em julgar; Eu genuinamente dei o meu melhor para entender a realidade de lá, da mesma forma que eu gostaria que um estrangeiro olhasse para o meu próprio país. Eu decidi me concentrar em quão surpreendente e calorosos os indianos são, o quanto eu me senti bem vinda. Dessa maneira, eu realmente acredito que eu me fortaleci e que eu sou uma pessoa melhor por isto.

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