4 motivos para ainda acreditar no Brasil

Os brasileiros têm sentido na pele as várias consequências da crise econômica que nos assombra desde 2014. Nos noticiários, as informações das mais variadas frentes, sejam sociais, políticas ou econômicas, são sempre negativas. Por mais que o cenário seja desanimador e por mais que a situação seja grave, é importante olhar os desafios por outra lente. Devemos ter otimismo e pararmos para pensar nos pontos fortes que temos e que construímos com muito esforço ao longo dos anos. Eu selecionei aqui 4 motivos para ainda acreditarmos no Brasil e não deixarmos o desânimo tomar conta de todas as nossas perspectivas.

1. Recursos naturais. Quem prestou atenção nas aulas de História e de Geografia no colégio já cansou de ouvir que o Brasil é o país com a maior biodiversidade do mundo. Sabe também que temos um dos maiores reservatórios de água do planeta. De acordo com o banco mundial, em nosso território encontra-se um quinto de toda água do mundo. Além disso, temos sol e vento praticamente o ano inteiro. Em um contexto global em que recursos energéticos estão sendo cada vez mais discutidos em todo mundo por motivos ambientais e econômicos, recursos naturais tornam-se cada vez mais vantajosos. O petróleo, por exemplo, é uma fonte energética cada vez mais limitada e a maior parte dos países procura alternativas para não ser refém dos preços que a OPEC decide praticar a cada momento. Além disso, especialistas em problemas ambientais têm pressionado o mundo para investir em fontes energéticas limpas, e o Brasil pode sair na frente nessa corrida se começar a investir na abundância de seus próprios recursos naturais.

2. Ensino superior de qualidade. Apesar de ainda termos vários problemas em relação a educação básica, o Brasil tem universidades federais e estaduais de qualidade e totalmente gratuitas. Mesmo que os desafios ainda sejam muitos para alunos de classes mais baixas conseguirem se formar, as coisas têm se tornado cada vez mais fáceis. Em meio a muitas polêmicas, conseguimos instaurar o sistema de cotas e deixar as salas de aulas ainda mais diversas. Apesar de não haver muitos estudos ainda em relação ao rendimento dos alunos cotistas, a mídia tem reportado bons resultados. O Estado de Minas, por exemplo, publicou que não só a nota do vestibular dos alunos cotistas superou a de não cotistas em 2013, como o desempenho deles também tem sido melhor na UFMG. Já o Correio Braziliense disse em 2013 que “o desempenho de cotistas é igual ao de não cotistas na UnB”. Isso quer dizer que estamos criando mais profissionais provenientes dos mais diversos contextos e que que podemos estar cada vez mais perto de eliminarmos a grande desigualdade social que existe entre os brasileiros e assim, nos tornarmos uma sociedade mais justa. Além disso, é importante lembrar que a USP e a Unicamp estão entre as 200 melhores universidades do mundo e isso faz com que os trabalhos científicos publicados no Brasil tenham maior peso em relação a comunidade acadêmica mundial.

3. Combate a corrupção. Durante o primeiro mandato de Lula, no início dos anos 2000, estourou no Brasil o famoso escândalo do Mensalão, um esquema de financiamento político que garantia apoio ao governo petista no Congresso Nacional. Foi apenas em 2012 que o Supremo Federal Tribunal julgou o esquema e condenou 24 pessoas e absolveu 16. A operação Lava Jato, que começou em 2014, já tem 42 fases, 28 presos e 32 condenados (entre eles um ex-presidente e um ex-governador).

Muita gente achou o resultado do julgamento do Mensalão insatisfatório, o colunista da folha Marcelo Coelho, por exemplo, o definiu como “bocado decepcionante, ou ao menos anticlimático”. Por outro lado, eu já acredito que foi justamente esse esquema que começou a plantar a sementinha da intolerância à corrupção no País. A Lava Jato está regando seus frutos e instaurando no poder judiciário (em todas as suas instâncias) a coragem para peitar os poderosos, que sempre tiveram certeza da impunidade. Não é à toa a citação da frase de Thomaz Fuller pelo juiz Sergio Moro no final da condenação de Lula: “Não importa o quão alto você esteja, a lei ainda está acima de você”

Por mais que seja desanimador ver os valores das propinas, os detalhes do esquema, os trechos estarrecedores de várias delações, e enfim, para ser bem direta, a “cara de pau” dos envolvidos aparecendo com tanta frequência na mídia, é importante lembrar de qual pode ser o resultado final. Se os políticos, empreiteiros e doleiros de fato pagarem por seus atos e alguns já estão pagando, preventivamente ou não, o Brasil sairá renovado. Eu acredito que estamos instituindo no País uma nova cultura política, uma provavelmente capaz implantar confiança dos brasileiros nos três poderes e de atrair mais investidores.

4. Os avanços econômicos da redemocratização. Parece irônico colocar esse item em um post sobre esperança em um momento de crise econômica. Mas, não falo da história econômica dos últimos 2 ou 3 anos. Aqui falo da herança da má condução da nossa economia desde a chegada dos portugueses até a década de 90. Falando especificamente sobre a ditadura, um dos maiores mitos de nossa história talvez seja acreditar que houve milagre econômico e que tudo ia bem. Apesar de ter havido crescimento em determinado período, houveram também muitos erros. Por exemplo, de acordo com o livro de Miriam Leitão “Saga Brasileira”, a inflação era mascarada a partir de manobras de correção da moeda e de corte de zeros, fazendo com que uma falsa queda de 80% para 20% da inflação fosse possível. Mesmo assim, no ano de 1980, por exemplo, a inflação chegou a 100%. A partir de Sarney, o presidente que gerações que vieram antes da minha tiveram que engolir, todo mundo se recorda da hiperinflação que chegou aos patamares de mais de 80% ao mês. Isso aconteceu por que o presidente organizou a contabilidade brasileira e extinguiu certos absurdos, como por exemplo, a famosa “conta movimento”, uma conta em que o banco central transferia recursos ao banco do brasil sem respeitar o orçamento de ambas instituições. Assim, é importante lembrar dos inúmeros planos econômicos, moedas diferentes, presidentes e até mesmo de um sequestro das poupanças brasileiras. Passamos por tudo isso e conseguimos construir um país com uma das maiores economias do mundo, fomos capazes de renegociar a nossa dívida externa e começarmos a andar com nossas próprias pernas (o FMI não interfere mais tão fortemente nas nossas decisões e nem nos delega terapias econômicas de choque).

A economia é cíclica e se passamos bem pela crise mundial de 2008 é porque conquistamos força suficiente para tal. É inegável que o ciclo atual é de muitos desafios complicados, mas agora mais do que nunca é preciso relembrar nossa história recente e acreditar que podemos vencer e sair fortalecidos mais uma vez.

 

 

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